sábado, 13 de novembro de 2010

extradio do blog quero ser mae de claudia colucci
08/10/2010
Ao marido de uma guerreira
"Hoje falo em nome de uma Guerreira que ao longo de 13 anos já tentou de tudo e não foi agraciada com uma gravidez (e não por isso vou deixar de amá-la, muito!!!). Sem mais condições físicas e psicológicas de fazer mais tentativas (já foram mais de 10 em 3 clínicas diferentes), a partir deste momento vamos rever os valores e o modo de levar a vida. Tempestades de emoções, de expectativas, frustrações, remédios, dinheiro, tempo, contra-tempos... tudo é passado.

Hoje pensamos: aprender pra quê? Ensinar pra quem? Viver a dois até o fim da vida é muito egoísmo? Agora é parar. Parar pra "não pensar". Cansados e esgotados, vamos nos recuperar e aí sim, pensar no que fazer. Todos vão falar: Adote! Mas ainda é difícil pensar nisso. Adoção, pra mim, é para quem já tem filho... mas com tempo tudo pode mudar... Encerro agradecendo e parabenizando este espaço, que ao longo do tempo nos deu muita força e esperança. Agora é partir para outra... e boa sorte a todas!"

A mensagem acima foi deixada por um homem, coisa rara de acontecer no nosso grupo de discussão. Ela nos faz sair um pouco do nosso "auto-foco" e lançar um olhar para os nossos companheiros que muitas vezes ficam meio perdidos neste labirinto de emoções que é a infertilidade. Não são raros os casos de casais que se separam durante essa incerta caminhada.

São nesses momentos que nossos sentimentos mútuos são testados à exaustão e, se passarmos por essa prova, estou certa de que o casamento sai ainda mais fortalecido. Caro "marido de uma Guerreira" (é assim que ele se identifica), acho que todas entendemos como ninguém a sua emocionante mensagem. Faz-nos eco cada palavra, afinal, elas nos leva a pensar também nas nossas próprias vidas.

Cada um de nós conhecemos bem os nossos limites, embora, muitas vezes, parece que insistimos em ir além deles. Vale a pena? O poeta diria que "tudo vale a pena se a alma não é pequena". Eu já profecei muito essa máxima. Hoje simplesmente espero que o tempo me responda. Ou não. Penso que o importante é nos reinventarmos sempre. Sermos flexíveis qual o bambu que, mesmo exposto às tempestades, enverga mas não quebra. Ao marido e sua guerreira, boa sorte na caminhada!
Escrito por Cláudia Collucci às 12h14

li esta mensagem e pensei tambem muito em tudo o que vivi ate hj, realmete sera que minha hora de ser mae ja passou? ja fiz tudo o que podia, nao vou fazer mais tratamentos na hora que tiver que vir vira, mas a vontade de ser mae é grande nao posso negar isso jamais, que sempre doi o cotovelo quando alguem diz que esta gravida, mas tambem penso na liberdade que tenho em nao ter filhos, as vezes tb me sinto egoista de achar que essa vida a dois é excelente que nao quero outra nao, é mundo de sentimentos,pensamentos, reflexoes que as vezes nao fazem o menor sentido, sentimentos que muitas vezes ficam escondidos e de uma hora para outra vem atona forte demais e nos faz pensar que ele nunca foi embora, esta apenas guardado crescendo quietinho a cada dia, sentimentos as vezes que me fazem pensar que estou ficando louca...louca de pedra? sera? ai meu Deus...
mas dai paro reflito, revejo tudo e logo estou bem de novo
é a vida, vamos seguindo em frente com fé, esperança e amor....
extraido do blog quero ser mae de claudia colluci
04/10/2010
E o Nobel da medicina vai para o "pai" da fertilização in vitro

O professor emérito da Universidade de Cambrigde, Robert Edwards, 85, criador do método para fertilização in vitro, concebido em 1978, recebeu o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2010. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pela Fundação Nobel, no Karolinska Institutet, em Estocolmo.

Graças ao trabalho de Edwards, muitos casais venceram a barreira da infertilidade e mais de 4 milhões de bebês de proveta já foram gerados no mundo.

A proeza de Edwards torna-se ainda maior quando olhamos para a história da infertilidade. Até que a medicina encontrasse soluções para o problema, há 32 anos, foram séculos e séculos de sofrimento.

Ao longo da história, mulheres inférteis foram submetidas a penas severíssimas por sua incapacidade de conceber. Em algumas culturas ancestrais, era permitido aos homens que enforcassem as esposas que falhavam no quesito procriação. Na Inglaterra da Idade Média, um homem podia "denunciar" sua mulher e anular um casamento se ela não engravidasse em um ano.

Em tempos mais recentes, na Índia, mulheres inférteis eram "condenadas" a se sentar numa cadeira ao lado do fogão até que se queimassem. Embora a infertilidade seja um problema conjugal, a culpa principal sempre recaiu sobre a mulher. Luís XIV, Rei da França, marido de Maria Antonieta, era notoriamente estéril, no entanto, por anos o povo da França permaneceu convencido de que a infertilidade real recaía sobre ela.

Em 28 de julho de 1978, o anúncio do primeiro bebê de proveta foi recebido por um misto de perplexidade e assombro , as manchetes da imprensa mundial no dia 28 de julho de 1978 saudavam o início de uma nova era. Pela primeira vez na história, um ser humano era concebido fora do corpo.

Três décadas depois, a sensação é que ainda falta um grande novo salto na área da reprodução assistida. Os índices de sucesso dos tratamentos estacionaram nos 30%. O grande mistério, de como melhorar as taxas de implantação do embrião no útero, continua a ser desvendado.

Escrito por Cláudia Collucci às 15h06
“Há duas formas para viver a sua vida: uma é acreditar que não existe milagre. A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre”.

(Albert Einstein)
Na ausência está sempre a falta, a carência, a necessidade... Na ausência da luz está a escuridão; na ausência do calor está o frio; na ausência do amor está o ódio... Deus é sempre o aspecto positivo: Ele é a verdadeira Luz, a fonte infinita de calor e de amor. Dele recebemos a vida, pois Ele é a origem e da Vida e o sentido único de nossa existência.

A vida, por si só, é um grande milagre. Quem tem o olhar iluminado pela Beleza (que é o próprio Deus), aproveita e vive cada instante como um verdadeiro milagre. E o milagre acontece quando aprendemos a perceber e a sentir a energia e o prazer de cada instante, de contemplar uma flor que exibe sua beleza e seu perfume num lugar mais inóspito. Experimente, pois, a viver a vida como um verdadeiro dom de Deus. Seja feliz com tudo aquilo que o Criador te proporciona...


Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

bom acho que devemos acreditar em milagres, pois tenho certeza que existem
a vida da gente ja é um milagre, tudo o que temos e somos é um milagre,
querer algo e nao conseguir muitas vezes nos faz pensar que nao somo capazes,
e que nunca iremos conseguir, mas é ai que temos nos agarrar a nossa fé, a nossa
coragem e a Deus principalmente e acreditar cada vez mais que existe um milagre
e vamos conseguir, pode ser que nao seja agora, mas que um dia vamos...
tudo na vida tem seu tempo e hora certa, tudo vem no momento de Deus...
vamos levando a vida ou a vida nos levando, mas vamo caminhando com
nosso sonho, obstaculos, erros e acertos, mas vamos indo e construindo nossa vida,
pois a nossa vida é o que construimos no passado, por isso construia e plante boas
semente no presente para termos um futuro excelente....

terça-feira, 10 de agosto de 2010

extraido do blog da claudia colucci

01/06/2010
12 regras de "etiqueta" na infertilidade


- E vocês, heim? Quando vão se animar e fazer um bebê? pergunta uma colega desavisada.

Minha amiga dá uma risadinha, diz que "tem tempo", quer "aproveitar mais a vida antes de ter filhos" e muda de assunto.

Eu que sei que essa amiga tenta há três anos ter um bebê, com duas fertilizações in vitro fracassadas, fiquei a me perguntar: Por que as pessoas não se emendam? Tudo bem, ninguém é obrigado a adivinhar que o outro esteja enfrentando problemas de infertilidade, mas, no mínimo, abstenha-se de comentários infelizes e inúteis deste tipo. Mesmo para quem não tenha planos de gravidez, essa é uma pergunta não faz o menor sentido.

Lembrei, então, de um guia que foi publicado anos atrás pela National Infertility Association (http://www.resolve.org/) e, depois, reproduzido pelas "Amigas do Parto" (http://www.amigasdoparto.org.br/). É uma espécie de "manual de etiqueta" da infertilidade. Algumas das regras básicas:

1 - Não diga a eles para relaxar

Todo mundo conhece alguém que teve problemas para engravidar, mas que finalmente conseguiu logo que ela "relaxou". Casais que conseguem engravidar após alguns meses de "relaxamento" não são inférteis. Por definição, um casal não é diagnosticado como infértil até que tenha tentado sem sucesso engravidar por um ano completo. Comentários como "apenas relaxe" ou "por que vocês não fazem uma viagem" criam ainda mais estresse para o casal infértil, especialmente para a mulher. Ela sente que está fazendo alguma coisa errada, quando, na verdade, há uma boa chance de que haja um problema físico que a esteja impedindo de engravidar.

2 - Não minimize o problema

A falha em conceber um bebê é uma jornada muito dolorosa. Os casais inférteis estão cercados de famílias com crianças. Estes casais vêem seus amigos terem dois ou três filhos, e vêem estas crianças crescerem enquanto voltam para o silêncio de suas casas. Estes casais vêem toda a alegria que uma criança traz para a vida de uma pessoa, e sentem o vazio de não serem capazes de experimentar a mesma alegria.

3 - Não diga que há coisas piores que poderiam acontecer

Nestes mesmos termos, não diga a seus amigos que há coisas piores que poderiam acontecer do que o que eles estão passando. Quem é a autoridade final sobre qual é a "pior" coisa que poderia acontecer a alguém? É passar por um divórcio? Ver alguém querido morrer? Ser estuprada? Perder um emprego?

4 - Não diga que eles não foram feitos para ser pais

Uma das coisas mais cruéis que alguém já me disse foi: ‘Talvez Deus não queira que você seja mãe". Quão inacreditavelmente insensível é insinuar que eu seria uma mãe tão ruim que Deus achou melhor me "esterilizar divinamente". Se Deus estivesse no ramo da esterilização das mulheres no plano divino, você não acha que ele preveniria as gravidezes que terminam em abortos? Ou então não esterilizaria as mulheres que terminam por negligenciar e abusar de seus filhos? Mesmo que você não seja religioso, os comentários do tipo "talvez não seja para ser" não são reconfortantes. A infertilidade é uma condição médica, não uma punição de Deus ou da Mãe Natureza.

5 - Não pergunte porque eles não tentam a FIV (Fertilização in vitro)

As pessoas freqüentemente perguntam, "Por que você não simplesmente tenta a FIV?‘ da mesma maneira casual como perguntariam "Por que você não tenta comprar numa outra loja?" Há muitas razões pelas quais um casal escolheria NÃO ir por este caminho. Aqui estão algumas delas.

- A FIV é cara e com baixas possibilidades

- A FIV é fisicamente difícil

- A FIV traz questões éticas

Um casal que escolha passar pela FIV tem um caminho difícil e caro pela frente, e eles precisam de seu apoio mais do que nunca. Os hormônios não são brincadeira, e o custo financeiro é imenso. Seus amigos não estariam escolhendo esta rota se houvesse um caminho mais fácil, e o fato de estarem dispostos a suportar tanto é mais uma prova do quanto desejam se tornar pais de uma criança. Os hormônios tornarão a mulher mais emotiva, então ofereça seu apoio e mantenha suas perguntas para você.

6 - Não brinque de médico

Uma vez que seus amigos estejam sob os cuidados de um médico, o médico fará inúmeros testes para determinar porque eles não conseguem engravidar. Há muitas razões pelas quais um casal não consegue engravidar. Aqui estão algumas delas:

. Trompas de Falópio bloqueadas

. Cistos

. Endometriose

. Baixos níveis hormonais

. Baixa contagem de esperma de "formas normais"

. Baixo nível de progesterona

. Baixa contagem de espermatozóides

. Baixa Mobilidade dos Espermatozóides

. Paredes uterinas finas

7 - Não seja grosseiro

É horrível que eu tenha que incluir este parágrafo, mas alguns de vocês precisam ouvir isso ­ não faça piadas grosseiras sobre a posição vulnerável de seus amigos. Comentários grosseiros do tipo "Eu doarei o esperma‘ ou ‘Tenha certeza de que o médico usará o seu esperma mesmo para a inseminação‘ não são engraçados, e apenas irritam seus amigos.

8 -Não reclame da sua gravidez

Esta mensagem é para as mulheres grávidas ­ apenas estar ao seu redor já é muito doloroso para suas amigas inférteis. Ver sua barriga crescer é um lembrete constante do que sua amiga não pode ter. A não ser que a mulher com problemas de infertilidade planeje passar o resto de sua vida numa caverna, ela deve encontrar uma maneira de interagir com mulheres grávidas. Compreenda as emoções de sua amiga infértil, e dê a ela a permissão de que precisa para ficar feliz por você, enquanto ela chora por ela mesma. Se ela não conseguir segurar seu bebê recém nascido, dê tempo a ela. Ela não está rejeitando você ou o bebê; ela está apenas tentando trabalhar a dor que sente antes demonstrar a sincera felicidade que sente por você. O fato de que ela esteja disposta a sentir esta dor para celebrar a chegada de seu novo bebê fala muito sobre o quanto a sua amizade significa para ela.

9 - Não os trate como se fossem ignorantes

Por alguma razão, as pessoas parecem pensar que a infertilidade faz com que os casais se tornem irrealistas sobre as responsabilidades de ser pais. Eu não entendo a lógica, mas muitas pessoas me disseram que eu não me importaria muito com um filho se eu soubesse a responsabilidade que estava envolvida em ser mãe. Vamos encarar ­ ninguém pode saber realmente as responsabilidades envolvidas em ser pais até que sejam, eles mesmos, pais. Isto é verdade quer você tenha conseguido conceber após um mês ou dez anos. A quantidade de tempo que você passa esperando por este bebê não influencia na sua percepção de responsabilidade. Mais ainda, as pessoas que passam mais tempo tentando engravidar têm mais tempo para pensar nestas responsabilidades. Elas provavelmente também já estiveram perto de muitos bebês enquanto seus amigos iniciavam suas famílias.

10 - Não insista na idéia de adoção (ainda)

A adoção é uma maneira maravilhosa de casais inférteis se tornarem pais. Entretanto, o casal precisa resolver várias questões antes de estarem prontos para se decidir pela adoção. Antes que eles possam tomar a decisão de amar o "bebê de um estranho", eles precisam primeiro passar pelo luto do bebê que teria os olhos do papai e o nariz da mamãe. Os assistentes sociais que trabalham com adoção reconhecem a importância deste processo de luto. Você precisa, de fato, superar esta perda antes de estar pronto para o processo de adoção. O processo de adoção é muito longo, e não é uma estrada fácil. Por isso, o casal precisa ter certeza de que pode abrir mão da esperança de um filho biológico e que pode amar uma criança adotada. Isto leva tempo, e alguns casais jamais poderão chegar a este ponto. Se seus amigos não puderem amar um bebê que não seja o deles, então a adoção não é a decisão mais acertada para eles, e certamente não é a decisão mais acertada para o bebê.

11 - Deixe que eles saibam que você se importa com eles

A melhor coisa que você pode fazer é mostrar aos seus amigos inférteis que você se preocupa com eles. Mande cartões. Deixe-os chorar em seu ombro. Se eles são religiosos, deixe que eles saibam que você está rezando por eles. Ofereça o mesmo apoio que você ofereceria a um amigo que acabou de perder um ente querido. Apenas o fato de saberem que podem contar com você diminui o peso da jornada e faz com que eles saibam que eles não vão passar por isto sozinhos.

12 - Apóie a decisão deles de parar com os tratamentos

Nenhum casal pode suportar tratamentos de infertilidade para sempre. Em algum ponto, eles vão parar. Esta é uma decisão agonizante para se tomar, e envolve ainda mais dor. Uma vez que o casal tenha tomado a decisão, simplesmente o apoie. Não os encoraje a tentar novamente, e não os desencoraje da adoção, se esta for a opção deles. Uma vez que o casal tenha atingido esta resolução (que seja viver sem filhos ou adotar uma criança), eles poderão finalmente encerrar este capítulo. Não tente abri-lo de novo.








Escrito por Cláudia Collucci às 13h31

extraido do blog da caludia colucci

09/06/2010
A "coisa" que não queremos sentir
"Sou feliz, sou amada, tenho uma vida plena e interessante, mas sinto essa "coisa" de quando em quando... uma pena. Queria não sentir."

Este trecho da mensagem da Giseli me tocou. A "coisa" a que ela se refere é o vazio que às vezes bate pela maternidade não realizada, um sentimento, aliás, bem conhecido por nós. Mas entendo que essa "coisa" vai muito além e esbarra em um denominador comum: a dificuldade de lidarmos com as frustações, com aquilo que foge ao nosso controle.

Fiz essa associação ao lembrar da conversa que tive no último final de semana com a minha sobrinha de 12 anos, às voltas com sua primeira "paixão". Aos prantos, ela repetiu exatamente a mesma frase da Giseli: "Eu não queria sentir isso, Cacau!". Está insegura porque o "escolhido" é o garoto mais bonito da sala, alvo de 100% das meninas. E ela sofre porque acha que não terá chances. "Na minha sala, existem outras meninas muito mais bonitas do que eu", disse, ainda chorando. É incrível como essas histórias se repetem...

Quis pegar no colo a minha menininha_que, aliás, já tem corpo de mulher, usa as minhas roupas e os meus sapatos_, mas ela está naquela fase arredia a carinhos. Então apenas deitei-me ao seu lado, reforcei os valores dela e falei um pouco dessas inseguranças que habitam o universo feminino desde que o mundo é mundo. Contei também que na idade dela (na verdade, eu era ainda mais nova, tinha 10 anos!) fui apaixonada por um garoto da escola, o Nivaldo, também disputado por várias meninas.

Uma delas, a Rosana, era minha melhor amiga. Vivíamos escrevendo "Nivaldo, eu te amo" em todos os lugares, até debaixo das mesas e cadeiras! E o moleque, assustado, vivia fugindo da gente. Minha paixão pelo Nivaldo acabou no dia em que a Rosana morreu, afogada, na represa de Furnas. Anos depois, morreu também o Nivaldo em um acidente de moto. Mas é claro que não contei esse final trágico da história para não traumatizar a minha pequena.

O fato é que essas duas associações improváveis, a dor de uma paixão não correspondida e a dor pelo filho que ainda não veio, levou-me a várias indagações. O que acontece com nós mulheres? Parece que desde a mais tenra idade somos instigadas a correr atrás de um "objeto do desejo" inatingível. Por mais que tenhamos, que conquistamos, parece que nunca é o bastante. De quando em quando, vem a "coisa" a atormentar.

Hoje não tenho dúvida de que a "coisa" não se resolve com um filho. A dor da infertilidade é tão forte e, ao mesmo tempo, o mito da maternidade é tão sedutor, que muitas vezes nos deixamos enganar pelo canto da sereia, imaginando que um filho virá para resolver todos os problemas. Nossos medos, nossa solidão mais intrínseca. Um filho pode atenuá-los, mas dificilmente tem o poder de resolvê-los. Ainda bem. Já imaginaram o tamanho da responsabilidade deste bebê?

Mas às vezes a vida nos ensina a aceitar as coisas simplesmente como elas são. Aprendi isso ano passado, após sofrer meu segundo aborto. Por vários dias, perguntei-me o porquê do mesmo raio ter caído duas vezes sob minha cabeça. Meu luto acabou três semanas depois, quando recebi o resultado do teste genético do feto: trissomia do cromossomo 18, uma doença genética gravíssima, que em 95% dos casos leva ao aborto. Os 5% dos bebês que sobrevivem ao nascimento, morrem nos primeiros anos de vida devido às múltiplas má-formações. Na mesma hora, agradeci ao Universo por ter me poupado de maiores sofrimentos. E lembrei-me, de novo, daquela lenda budista que já postei aqui: boa sorte? má sorte? quem poderá dizer?






Escrito por Cláudia Collucci às 21h11
Estudo aponta risco maior de câncer em bebês nascidos por FIV

Mais um estudo inconclusivo mostra que crianças concebidas por meio da Fertilização in vitro (FIV) têm um risco mais elevado de câncer. Dessa vez o trabalho vem da Suécia e tem uma base de dados considerável: 26.692 crianças que nasceram entre 1982 e 2005.

Segundo o estudo, as crianças geradas por FIV tiveram um risco 1,5 vez maior de ter câncer hematológico e tumores no sistema nervoso central em relação ao resto da população. Foram 53 casos de tumores entre os bebês de proveta, contra 38 entre a população infantil concebida naturalmente.

Não se sabe, porém, se o problema é da técnica ou se está relacionado ao fato de que muitas das crianças geradas por FIV apresentam baixo peso ao nascer _especialmente os múltiplos_ e índice de Apgar baixo. Os autores afirmam que estudos adicionais sobre grandes populações são necessários para estabelecer melhor essa relação entre a FIV e o câncer.

O que me intriga nesses estudos é justamente essa inconclusão. Não bastasse o sofrimento causado pela dificuldade de gravidez e pelos tratamentos de reprodução assistida, volta e meia aparecem esses trabalhos para colocar mais pulga atrás da orelha.

Não acho que devemos ignorá-los, até porque é sabido que, em termos de história da medicina e da ciência, a FIV, 32 anos, é ainda uma técnica nova. Alguns especialistas dizem que é preciso estudar, no mínimo, duas ou três gerações para dizer se a FIV/ICSI é ou não 100% segura em relação a possíveis doenças "transmitidas" aos bebês nascidos por meio dela.

Por outro lado, é necessário olhar esses estudos com calma e sem alarde. No caso do trabalho sueco, os prórpios autores dizem que os resultados dizem respeito apenas àquela população, não pode ser estendido a de outros países. Se estão certos ou não, só a história dirá.


Escrito por Cláudia Collucci às 15h13

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Pais são mais insatisfeitos do que pessoas que não têm filhos, mostram estudos

O uso de drogas ansiolíticas, a psicoterapia e os fins de semana inteiros passados na cama não estavam nos planos de alguns casais, quando decidiram ter filhos.

Nenhum conflito com as crianças: o problema são as atuais demandas da paternidade e da maternidade.

Daniel Marenco/Folhapress

Allan Dantas e Andreza de Campos Vieira, com a filha Manuela; excesso de teorias aumenta frustração dos pais

"É bom, mas exaustivo. Depois do nascimento, na volta ao trabalho, engordei cinco quilos de ansiedade. Hoje, durmo tarde para ajudar minha filha na lição. Quando o alarme toca às 6h, quero chorar", diz a secretária Michele de Luna, 32, mãe de Maria Clara, 8.

"Eu me justifico o tempo todo, falo para ela que preciso trabalhar. Nos fins de semana, quero fazer de tudo com ela, para compensar a semana. É culpa demais."

A constatação dos acadêmicos é ainda mais dura. Os estudos feitos nos EUA e na Europa nos últimos anos mostram que, em relação aos que não têm filhos, os pais demonstram níveis mais baixos de bem-estar mental, felicidade, satisfação com a vida e com o casamento.

Um último trabalho, publicado em 2009 no "Journal of Happiness Studies", até tentou contrariar os resultados das pesquisas anteriores.

Depois de analisar dados de 15 mil britânicos por uma década, um economista escocês atestou que pessoas com filhos eram mais felizes.

Mas a euforia durou pouco: em março deste ano, o autor publicou uma errata. Ao rever os números, viu que "o efeito de ter filhos na satisfação das pessoas é frequentemente negativo".

"Há uma sensação de perda, de não estar dando o que poderia. E uma cobrança grande. Qualquer distúrbio de comportamento é visto como culpa da criação dada pelos pais", analisa a cientista social Maria Coleta Oliveira, professora da Unicamp.

No Reino Unido, a Universidade de Kent centraliza uma rede de pesquisadores de todo o mundo que se dedicam a entender as peculiaridades do que chamam de nova cultura parental.

"Ser pai ou mãe passou a ser considerada uma atividade ou habilidade, e não uma forma de relacionamento, e é retratada como algo inacreditavelmente difícil", explica à Folha Jan Macvarish, pesquisadora da universidade.

Com tanta pressão, fica difícil educar um filho sem se sentir mal e aquém das expectativas próprias e alheias.

O excesso de informações sobre como criar a prole gera a impressão de que uma boa educação deve ser guiada por um especialista.

O LADO DELES

A mãe já está acostumada a carregar o mundo dos filhos nas costas. Mas o papel do homem na educação ganhou destaque nos últimos tempos, abrindo espaço para mais culpa e frustrações.

"Fala-se muito do novo pai. Há cobrança para que ele esteja mais presente. Mas que chefe entende o executivo não ir à reunião para levar o filho ao pediatra?", indaga Maria Coleta de Oliveira.

O publicitário Carlos Munis, 31, viveu esse drama nos primeiros anos de Igor, 10. O excesso de pitacos da família e dos amigos o deixou "bloqueado". Ter se separado da mulher também contribuiu para o afastamento.

"Eu não sabia como dar banho, fazer dormir, dar comida sem me estressar. Minha autoestima foi lá pra baixo. É muita gente falando,você se sente incapaz."

Com o tempo, Carlos aprendeu a assumir a paternidade. "Passei a participar mais. Pai sempre se sente frustrado. Mas, hoje, faço do meu jeito e, se erro, erro por algo que achei que era certo."

Para Macverish, os homens se tornaram "alvo" de campanhas sobre criação dos filhos, o que gera tensões entre o casal. "Em vez de negociar apenas o ponto de vista dos dois sobre os filhos, pai e mãe estão incorporando mais conselhos externos."

O psicanalista Rubens de Aguiar Maciel, que pesquisou futuros pais, constatou a insegurança em relação às novas competências paternas. "É muita pressão. Eles internalizam a cobrança da sociedade."

Pesquisas feitas no Brasil mostram que apenas um terço dos pais encontram o equilíbrio entre dar afeto e limites. Outro terço é considerado negligente, 15% são autoritários e 15%, permissivos.

"Pensa-se pouco sobre como ter e em ter filhos. As pessoas acham que sabem como fazer, por causa do excesso de informações", diz a psicóloga Lídia Weber, da Universidade Federal do Paraná.

Mesmo com filhos bem planejados, a situação pode parecer fora do controle.

A analista de negócios Andreza de Campos Vieira, 29, decidiu buscar ajuda de um terapeuta para minimizar a culpa que sente ao se desdobrar entre a rotina e os cuidados com Manuela, de um ano e cinco meses.

"Nunca achei que iria sofrer desse jeito sendo mãe. Mas já tive urticárias, dores de cabeça. Me cobro demais para fazer coisas que não consigo."

COISINHAS

A autônoma Amanda Paradela, 34, mãe de Igor,10, e de Kaian, 5, já dormiu fins de semana inteiros para descansar. "Mesmo nessa exaustão, me culpo. Se um fica doente, é porque não estou, e a babá não cuida direito. Você está no seu limite, mas cada coisinha parece um problemão."

Não é fácil se livrar da frustração. Mas tomar consciência de que ela existe é bom.

"O que deve estar em jogo é o afeto", diz a psicanalista Belinda Mandelbaum, coordenadora do laboratório de estudos da família, relações de gênero e sexualidade da USP. E alivia: "O importante é entender que não existe um modelo ideal. Existe o possível para cada um".
TEXTO PUBLICADO NO SITE UOL NO DIA 3 DE AGOSTO POR JULLIANE SILVEIRA
DE SÃO PAULO